indiretas: feliz ano novo  amor  one 

- Dizem que beijar na virada do ano dá sorte. - eu falei, depois de terminar uma bala de menta, enquanto você olhava os fogos na beira da piscina. Sentei do teu lado, escorei a cabeça no teu ombro.

- Opa… - você beijou minha testa - Vai ser o melhor ano da minha vida, ‘maninha’.

Maninha. Cada vez que você usa esse termo um pedaço de mim desaparece. O que poderia fazer? Sorri grande e apontei os fogos que desenharam corações no céu. Você riu e olhou o relógio.

- Feliz ano novo, Hanna.

- Feliz ano novo, Peter. - te abracei, esperando que aquele perfume doce ficasse em mim pelo resto da vida. 

Mais um ano começando, mais uma vez eu me lembro de quando te conheci. Era só mais um cara bonito, de faculdade, que andava rodeado de meninas, ‘areia demais pro meu baldinho de praia’. Seus cabelos contrastavam com a pele, os olhos faziam o rosto brilhar, e eu não sabia parar de te encarar. 

Tua respiração suave ao meu lado, dentro do abraço, faz com que eu me senta segura. Quero apertar teus ombros, te balançar e dizer: me enxerga, cansei de ser só a maninha. Mas como você poderia olhar pra mim? Sou uma criança perto das outras ao teu redor. Você me solta, balbucia alguma coisa que eu não entendo, mas dou risada pra não perder o amigo.

- Pronta pra faculdade esse ano? - não me olha desse jeito preocupado, menino!

- Acho que sim… Não vejo a hora de crescer. - sorri, jogando um charme que você nem viu.

- De qualquer jeito, vou estar no mesmo prédio que você. Qualquer coisa…

- Eu sei me virar, Peter. - você riu. BOBO!

- Sei que sabe, linda, sei que sabe.

Desconfio que você saiba que me tem nas mãos. Desconfio seriamente de que você brinca comigo todos os dias. Você levanta e vai encontrar as outras amigas, me deixando sozinha com esse zilhão de pensamentos. Fecho os olhos, cruzo os dedos, faço meu pedido ao ano que chegou. Que ano que vem, eu possa dizer: Feliz Ano Novo, amor!

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indiretas: nós amor  g 

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indiretas: finale  enfim  los hermanos s2 

O coração de Manuela parecia explodir de tanta felicidade. Sentara-se, buscando um pouco de ar. Clara encantava-se com a ideia de conhecer o ‘amigo’ de sua mãe. Buscou o livro e entregou-o a ela, folheando até a parte que leram mais cedo.

- É isso que você sente agora, mamãe! - ela apontou.

Clara sabia o que estava falando. Manuela começara uma leitura silenciosa.

“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração… É preciso que haja um ritual.”


Lucas dormia no banco de trás do carro, enquanto Bernardo dirigia ofegante. Não conseguia acreditar na coragem que estava tendo. Não conseguia acreditar que tinha chegado o momento. Pegara algumas roupas, os cds favoritos deles e o coração que estava guardado para ela. Uma música conhecida tocava, e ele cantarolava sorridente. “Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas não ter o seu lugar”, ela dizia. Ao ver a placa da cidade, seu coração deu um salto.

Ela cuidava o movimento pela janela. Clara adormecera próxima a lareira, deixando-a esperar sozinha. A chuva caía, deixando a situação ainda mais propícia para o encontro. A rua silenciosa e o coração barulhento, ela sorria. Uma luz iluminou a entrada de sua casa, um homem desceu do carro. Era ele. Inconfundivelmente, era ele. O tempo parou. O coração parou. O dela e o dele. Manuela tomou a sombrinha e correu até ele. Os corpos se uniram em um abraço.

- Não pode ser real. - ela chorava.

- É real, Manu. Sempre foi real, meu bem. - as lágrimas misturavam-se a chuva enquanto ele falava.

- Eu te amo, Bernardo. Sempre amei! - ela tremia.

- Eu sei, querida, eu sei. - abraçou-a mais uma vez. Estavam sós, longe do chão, com o cabeça nas nuvens. 

Se alguém os visse, jamais duvidaria de que era amor. Amor antigo, amor demorado. Estiveram longe, mas ao mesmo tempo sempre acharam-se perto. Era pra ser, sabiam. Agora, olhavam nos olhos e respiravam, sem dizer uma única palavra. O beijo, esperado há quase dez anos, encontrou-os cheios de saudade. “O amor já desvendou nosso lugar, e agora está de bem”, a música gritava dentro do carro e dentro deles. Agora está de bem…

Muitos me perguntam o que aconteceu a eles. Para os românticos incorrigíveis, digo que eles viveram feliz para sempre. Para os incrédulos no amor perfeito, digo que eles estão bem, enfrentando adversidades, mas continuam se amando. Para mim, digo que eles nunca existiram realmente, mas estão vivos no meu coração, no seu coração, e no coração de cada um que espera, com fé, que o amor desvende o seu lugar. Bernardo e Manuela somos nós, que independente do que o mundo nos diga, continuaremos amando. Diz, quem é maior que o amor?

Posted 27 May 2012, 1 day ago ~ reblog
indiretas: desistir 

Bernardo andava pela casa, procurando Lucas que se escondera em algum canto. Sentia-se um garoto enquanto brincava de esconder-se com seu filho. O menino, com sete anos, apresentara uma melhora incrível. Sua audição já alcançava os setenta por cento, o que o deixava com um sorriso gigantesco. Ele orgulhava-se pelo trabalho que havia feito com aquela criança, tão doce, tão gentil. Entre uma brincadeira e outra, ouvira o telefone tocar. Fazia dias que esperava uma ligação de um certo alguém que a muito o havia deixado. Cruzou os dedos, fechou os olhos e atendeu.

- Bernardo? - era ela. Seu coração disparou e ele não sabia mais se havia chão debaixo de seus pés. Respirou fundo.

- Manuela… - seus olhos encheram-se de lágrimas. Pode sentir que ela também sentia-se assim.

- Faz tanto tempo. - ela soluçava - Desculpa estar te ligando, devo ter incomodado vocês.

- Tudo bem, Manu. - ele sorriu, admirando-a por sua preocupação - Eu só estava brincando com o Lucas.

- E a Catarina? - ela sentia uma dor no peito ao pronunciar aquele nome. Ele lembrou-se que não havia contado nada.

- Casa-se em duas semanas. - ele rira - Faz tanto tempo que não nos falamos. As coisas mudaram, moça.

- Não sou mais moça, Bernardo. - ela ironizou - Sou quase uma senhora.

- És a minha moça. A mesma moça que encontrei no parque há quase dez anos atrás. 

- Bonita as nuvens, não? - Manuela lembrou-se, causando risos em Bernardo.

- Eu lembro de cada palavra. No parque, no meu casamento, no hospital, nos telefonemas… - um trilhão de coisas passaram na sua cabeça, deixando-o ainda mais feliz por ela ter ligado.

- Eu liguei porque sinto saudade, moço. - ela estufara o peito de coragem, aquele era o momento - Liguei porque amo você, Bernardo.

- Ainda mora no mesmo lugar? 

- Sim, por quê? - ela cruzou os dedos.

- Chego às nove.

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